Em 1716, um estalajadeiro local afirmou que a planta incomum tinha brotado do cajado de José de Arimatéia, que ele plantara para desabrocho ­no Natal (não que as festas de dezembro fossem relevantes na época dele. Só 300 anos mais tarde Constantino ajustaria a data do aniversário de Je­sus para coincidir com o solstício de inverno). A noção de que o cajado de José se abriria em flor provinha de um verso profético em Isaías 11:1: "Do tronco de Jessé [que era pai de Davi] sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo". Em algumas obras de arte da Igreja e em escritos ­apócrifos, o cajado em flor da linhagem real é representado na mão do pai ­de Jesus, José. Foi só no século XIX, com a obra ldylls ofthe King, ou idílios do rei, de Alfred, lorde Tennyson, que Glastonbury foi especificamente associado ao Santo Graal. A água avermelhada incomum do Poço de Giz de Glastonbury (na verdade, tingida de vermelho pelo óxido de ferro) foi prontamente relacionada ao sangue de Jesus. O poço foi rebatizado com o nome de Poço do Cálice (Chalice Well), e diziam que a cor da água se devia ao conteúdo do Graal, que José teria enterrado nas proximidades. A famosa ­tampa do poço, decorada em ferro ao estilo da arte celta, foi elaborada pelo arquiteto Frederick Bligh Bond, depois da Primeira Guerra Mundial. A des­peito da variedade de relíquias santas e arturianas em Glastonbury (algumas verdadeiras e outras inventadas), a relação de José de Arimatéia com a Grã-Bretanha é muito mais bem comprovada historicamente. Foi tema de debate em vários Concílios da Igreja na Europa, dando aos ingleses ­possibilidade de alegar uma origem cristã muito anterior à de Roma. No Concílio de Pisa, em 1409, houve até uma controvérsia a respeito de quem teria vindo primeiro ao Ocidente, José ou Maria Madalena. Hoje em dia ­seria surpreendente se a Igreja admitisse que sequer eles vieram.